“Socialismo para os outros”: influenciador comunista recusa socializar seu próprio canal e abandona partido

Apesar de não ter registro no TSE, a organização se preparava para lançar Jones como seu candidato à Câmara dos Deputados pelo PSOL. Foto: Reprodução

O influenciador digital Jones Manoel, um dos mais conhecidos defensores do comunismo na internet brasileira, rompeu com o Partido Comunista Brasileiro Revolucionário (PCBR) após um impasse envolvendo o controle de seu canal no YouTube, o Farol Brasil.

Segundo Jones, o partido teria pedido para assumir o controle da conta — uma medida que, na visão dele, poderia inviabilizar financeiramente o projeto e comprometer sua própria subsistência e a de sua família.

“O PCBR queria assumir o controle do Farol Brasil, mas assumiu o controle do Farol Brasil sem ter condições de administrar o canal e sem garantir a minha renda financeira e a renda da minha família”, afirmou o influenciador.

A contradição exposta

A situação gerou forte repercussão nas redes sociais justamente pela contradição aparente: Jones Manoel é conhecido por defender regimes totalitários nos quais o Estado — dominado pelo partido — tem controle total da economia, dos meios de comunicação e da propriedade privada.

No entanto, ao ser confrontado com a possibilidade de aplicar esses princípios em sua própria vida, o influenciador recuou. Ele questionou como ficaria sua renda pessoal.

“E como é que fica a minha renda, como é que fica as responsabilidades que eu tenho com a minha família?”, questionou.

Jones disse que não é contra ceder sua plataforma para o PCBR, mas impôs uma condição: a sigla precisaria garantir que ele continuaria ganhando dinheiro.

“Eu já falei abertamente, tive essas reuniões do PCBR em que disse: ‘ó, minha renda mensal pra eu cobrir os gastos com a minha mãe, com meus sobrinhos, com a minha madrinha, com a conta de luz, com o meu aluguel, com a feira, é X. O partido consegue bancar isso?'”, relatou.

Sem acordo, rompimento

Diante da falta de garantias, o influenciador deixou a sigla. Jones estava ligado ao PCBR desde 2024 e, embora não tivesse registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) , a organização se preparava para lançá-lo como candidato à Câmara dos Deputados pelo PSOL.

Com o rompimento, o plano eleitoral foi interrompido.

A visão do partido

Comitê Central do PCBR publicou uma nota oficial sobre o caso, escrita em um tom que remete à linguagem dos antigos regimes soviéticos. O partido defendeu a centralização dos meios de comunicação e propaganda associados, alinhando-se às orientações de Lenin sobre a rígida hierarquia que um movimento comunista deve seguir.

A legenda afirmou que estudou “modelos de transição” para que a conta passasse gradativamente ao controle do partido.

“Propusemos a incorporação gradativa mediante profissionalização do camarada Jones, entre outras formas que pudessem garantir a manutenção financeira do camarada e o uso político correto do canal”, diz a nota.

No entanto, segundo o partido, Jones Manoel apenas aceitou divulgar a linha editorial da sigla, sem ceder o controle da conta. O impasse inviabilizou a parceria.

Com informações Brasil Paralelo

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