Em meio à repercussão das polêmicas envolvendo o financiamento do filme Dark Horse, outra produção sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro chegou silenciosamente aos cinemas brasileiros. O documentário “Colisão dos Destinos” estreou na última quinta-feira, 14 de maio, em salas de 17 estados do país.
A produção, que promete contar a trajetória de Bolsonaro “da infância à Presidência”, tem enfrentado dificuldades de distribuição. Nenhuma das grandes redes exibidoras aceitou exibir o filme, que está restrito a cinemas menores e independentes. São Paulo e Rio de Janeiro, os dois maiores mercados do país, não têm salas exibindo a produção.
Financiamento com recursos próprios
Em entrevista ao programa Café com à Gazeta do Povo, o produtor e diretor do documentário, Doriel Francisco, afirmou que financiou integralmente a obra com recursos pessoais.
“Não teve nenhum real de patrocínio público ou privado. Fui obrigado a vender um carro e um terreno”, revelou o diretor.
A declaração contrasta com as acusações que cercam o filme Dark Horse, que teria recebido financiamento questionável por meio de negociações entre o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro. As duas produções, no entanto, não têm relação direta, embora compartilhem nomes na equipe, como o ator e ex-secretário de cultura Mário Frias, que assina como produtor de “Colisão dos Destinos”.
O que o documentário mostra
De acordo com a sinopse oficial, “Colisão dos Destinos” se propõe a oferecer um olhar sobre as raízes pessoais e os acontecimentos que moldaram o ex-presidente Jair Bolsonaro — desde sua infância até a chegada ao Palácio do Planalto em 2018.
O filme reúne depoimentos exclusivos de:
- Os filhos Carlos, Flávio e Eduardo Bolsonaro
- Os irmãos do ex-presidente
- Aliados políticos como Nikolas Ferreira, Gil Diniz e Mário Frias
Um dos momentos centrais do documentário é a abordagem da facada sofrida por Bolsonaro durante a campanha presidencial de 2018, narrada a partir do ponto de vista dos próprios filhos.
A dificuldade de exibição e a crítica ao setor audiovisual
O principal obstáculo enfrentado pela produção tem sido a distribuição. Doriel Francisco afirmou que tentou negociar com as grandes redes exibidoras, mas foi recusado em todas elas.
“Tive dificuldade com as grandes redes exibidoras, nenhuma delas aceitou exibir o filme”, disse o diretor. Para ele, a recusa é injustificada. “Não é um filme político, é um filme que trata da história do Jair, que humaniza a figura do ex-presidente. As pessoas estão indo até os cinemas cobrar que o filme seja exibido.”
O diretor também fez uma crítica contundente ao setor audiovisual brasileiro, afirmando que ele é dominado por um viés ideológico de esquerda.
“Estão fazendo uma tempestade gigantesca sobre isso porque o audiovisual brasileiro é dominado pela esquerda. Pela primeira vez estamos trazendo dois filmes falando do Jair Bolsonaro, e isso mexe com eles”, declarou à Gazeta do Povo.
Com informações de Gazeta do Povo e Brasil Paralelo