Trecho da lição 12 de Lições Bíblicas Adultos gerou debate sobre adocionismo; Ciro Sanches Zibordi, João Flávio Martínez e Adalberto Menezes divergem sobre a origem do problema, mas rejeitam desvio doutrinário da editora
Um vídeo publicado pelo canal do Centro Apologético Cristão de Pesquisa (CACP) abriu uma discussão no meio evangélico sobre a revista do professor de Adultos da CPAD no 1º trimestre de 2026. A controvérsia envolve a lição 12, “O Filho e o Espírito Santo”, da série A Santíssima Trindade, após a divulgação de um trecho de subsídio teológico na página 87.
No vídeo, o presidente do CACP, pastor João Flávio Martínez, classificou o caso como uma “gafe gravíssima”. Segundo ele, a citação reproduzida no material dava a entender que Jesus teria sido adotado como Filho de Deus no batismo, tese associada ao adocionismo, doutrina rejeitada historicamente pelo cristianismo por negar a divindade eterna de Cristo.
Martínez afirmou que a denúncia partiu de um professor da Escola Bíblica Dominical (EBD), que identificou o problema ao analisar o conteúdo da revista. O trecho questionado cita o teólogo James D. G. Dunn e diz que Jesus teria sido adotado como Filho de Deus em seu batismo. Para o apologeta, a forma como o texto foi apresentado abre margem para uma leitura herética.
Hipótese de erro editorial
O próprio Martínez, porém, admitiu que o caso pode ter sido provocado por falha de edição. Segundo ele, o texto original usado como base provavelmente citava Dunn para, em seguida, refutá-lo. No entanto, o corte feito no subsídio da revista teria mantido apenas a parte controversa, sem a devida contestação.
“Quem fez o corte, quem montou a revista aqui do professor, colocou aqui um subsídio pela metade e acabou trazendo confusão a quem ministra as aulas”, afirmou.
A repercussão se espalhou entre professores, alunos e perfis ligados à EBD. Nos comentários do vídeo, parte do público apontou erro de diagramação ou de recorte. Outros defenderam que o material foi interpretado sem considerar o contexto completo da revista e do trimestre.
Pastor Ciro fala em falha de edição
A manifestação que buscou reduzir a temperatura da polêmica veio do pastor Ciro Sanches Zibordi. Em postagem nas redes sociais, ele afirmou que “houve um erro/falha de edição na parte subsidiária” da revista Lições Bíblicas Adultos, na lição 12 do primeiro trimestre de 2026.
Segundo Ciro, a citação de Teologia Sistemática, uma Perspectiva Pentecostal, obra editada por Stanley M. Horton, “ficou incompleta”, o que acabou dando a entender, de forma errada, que Jesus teria sido adotado como Filho de Deus pelo Pai.
Na mesma manifestação, Ciro afastou a suspeita de desvio doutrinário. Disse que o autor da revista, pastor Douglas Baptista, a CPAD e a Assembleia de Deus “não defendem a heresia do adocionismo”. Também afirmou que “o Filho de Deus sempre existiu” e que Jesus “já veio ao mundo como tal, pois jamais deixou de ser Deus”.
Resposta de Adalberto Menezes

Outra reação veio do teólogo Adalberto Menezes, idealizador do perfil EBD Importante. Ele contestou a leitura feita no vídeo do CACP e disse que o problema não está no posicionamento doutrinário da revista, mas na interpretação isolada de um trecho.
Segundo Adalberto, o comentarista não defende a heresia, apenas cita a posição de James Dunn dentro de um contexto de estudo teológico. Ele lembrou que, na própria lição 1, o material deixa claro que Jesus já era o Filho de Deus antes do batismo.
Adalberto também argumentou que o tema do adocionismo aparece no trimestre como alerta doutrinário, e não como ensino da CPAD. Para ele, o subsídio da revista do professor é um material de apoio, voltado a um público com formação teológica suficiente para distinguir entre citação acadêmica e posicionamento doutrinário.
Debate expõe cuidado com material didático
A posição de Ciro se aproxima, em parte, da crítica feita por Martínez, ao admitir falha na edição do subsídio. Ao mesmo tempo, converge com a resposta de Adalberto Menezes ao rejeitar a ideia de que a CPAD ou o comentarista tenham assumido a tese adocionista.
No centro da controvérsia, assim, ficou menos a doutrina oficial da editora e mais a forma como um trecho teológico foi recortado e apresentado ao professor.
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